sábado, 11 de abril de 2015

A eterna Barbara Heliodora!

      07/04/2014 - Eduardo Coelho e Barbara Heliodora na Academia Carioca de Letras


O Brasil perdeu Barbara Heliodora! Uma grande perda para a cultura e o teatro nacional. Barbara é uma daquelas pessoas que jamais deveria nos deixar. Uma pessoa muito especial. Agradabilíssima! Sua inteligência e cultura são imprescindíveis. Tive a honra e o prazer de desfrutar de sua companhia em algumas poucas ocasiões. Porém, bem marcantes na minha vida.

Em 2009, passei algumas horas de uma tarde encantadora, entrevistando-a para o meu livro "Estádio das Laranjeiras - Monumento Nacional", que se encontra publicado gratuitamente no Blog "CIDADÃO FLUMINENSE". Barbara foi de uma delicadeza ímpar em me receber em sua casa no Cosme Velho. Confesso, que, de início fiquei impactado de estar diante de uma das grandes damas do teatro brasileiro. Mas Barbara foi extremamente gentil e logo foi me deixando muito à vontade.

O objetivo de minha conversa com Barbara era ter a oportunidade de saber um pouco mais sobre Marcos Carneiro de Mendonça, sobre o Estádio das Laranjeiras, sobre o nosso Fluminense. O gigantesco Fluminense vivido por Barbara, que não tive a felicidade de conhecer. E uma das coisas fantásticas de nossa conversa é que a realizamos com um retrato do "Velho Marcos" ao nosso lado. Sensacional! Inesquecível! Isso me emocionou e me alegrou muito no dia de nossa entrevista. Era como se o "Velho Marcos" estivesse ali conosco. Isso me emociona e me alegra até hoje.

O carinho e a ternura com que Barbara se referia ao "Velho Marcos" era contagiante e emocionante. O "Velho Marcos" era o seu pai: o goleiro tricolor Marcos Carneiro de Mendonça. O primeiro grande goleiro e 'galã' do futebol brasileiro. Marcos foi um dos heróis do primeiro título importante da Seleção Brasileira: o Sul-Americano de 1919, conquistado no Estádio das Laranjeiras. Marcos foi o primeiro grande ídolo tricolor e iniciou uma dinastia de grandes goleiros no Fluminense.

Aprendi a admirar as histórias de Marcos Carneiro de Mendonça durante a adolescência na década de 1970. Na verdade, eu era apaixonado pelas histórias do "Velho Marcos". Marcos já idoso, mas sempre muito lúcido, extremamente culto, era um grande símbolo para as novas gerações de tricolores. Historiador, Marcos era um sinônimo da intelectualidade tricolor. Um orgulho!

Enquanto conversávamos sobre assuntos que tanto me emocionam - como a inigualável História do Fluminense - era muito bom perceber a alegria e o brilho nos olhos de Barbara, ao relatar aventuras, momentos históricos, peripécias e casos, vividos por ela no nosso querido Fluminense. Barbara lembrava com saudade da antiga piscina de água salgada, onde ela costumava nadar com amigas como Tônia Carrero e Alzirinha Vargas. Barbara frequentava o Fluminense desde que nasceu, em 1923, onde além de praticar esportes, participava de atividades culturais. Barbara integrou a primeira equipe de atletismo feminino do Fluminense.

Outra lembrança inesquecível de nossa conversa foi quando Barbara se recordou da final da Copa do Mundo de 1950. Ela estava junto do pai, o "Grande Marcos", quando um popular aproximou-se do ex-goleiro da Seleção Brasileira e disse: "Se fosse o senhor no gol, o Brasil não perderia a Copa". Barbara ficou orgulhosa em perceber, que, mesmo depois de muito tempo que tinha parado de jogar futebol, torcedores ainda lembravam-se de Marcos com carinho e admiração.

Conversamos um pouco sobre o Solar dos Abacaxis, residência de sua família que a partir dos anos 1940, seria um ponto de encontro de artistas e intelectuais da época. Disse a Barbara que, a família "Carneiro de Mendonça" daria um belo livro. Em 2009, ainda estive com Barbara no Salão Nobre do Fluminense durante o jantar comemorativo dos "60 anos" da conquista da Taça Olímpica, organizado pelo ex-presidente Sylvio Kelly dos Santos. Durante poucos segundos, imaginei uma época que não vivi, mas que fazia parte do "Grande Fluminense de Barbara".   

Em 2012, conversei com Barbara algumas vezes ao telefone. Buscava informações sobre seu tio, Fábio Carneiro de Mendonça, um dos grandes presidentes do Fluminense. E Barbara, como sempre, muito gentil. Durante a gestão de Fábio Carneiro de Mendonça, o Fluminense conquistou a Taça Olímpica, o primeiro campeonato carioca da Era Maracanã, em 1951. E principalmente, em 1952, a Copa Rio, o Mundial Interclubes idealizado por Mário Filho. A Copa Rio era o tema de meu livro "1952 Fluminense Campeão do Mundo", que tem o prefácio do grande jornalista Argeu Affonso, que fez parte da comissão dos festejos do cinquentenário do Fluminense. A história do livro é iniciada em 1949 descrevendo a conquista da Taça Olímpica.

Uma das novidades que pude contar para Barbara e que ela desconhecia, era da gratidão que Abdias do Nascimento - o maior líder negro do Brasil depois de Zumbi dos Palmares - tinha com sua mãe, Anna Amélia. Ela foi fundamental para a luta dos negros no Brasil. Cheguei a falar para Barbara de meu fascínio por sua mãe. Foi a esposa de Marcos quem introduziu o futebol na poesia brasileira, em 1922, em seu livro "Alma", contribuindo para a popularização do esporte em nosso país.

Em 2014, estive na Academia Carioca de Letras, presidida por Ricardo Cravo Albim, para assistir uma palestra de Barbara Heliodora sobre "O teatro carioca". A palestra durou cerca de uma hora e tive a responsabilidade de gravá-la.

Foi uma verdadeira aula sobre o teatro brasileiro. Barbara disse algo muito importante: "Inglesinhos, alemãezinhos e francesinhos, quando pequenos, são educados a conhecerem os grandes autores teatrais de seus países. E os nossos brasileirinhos, concluem o primeiro e segundo graus, sem sequer escutarem a palavra 'teatro'". Concordando com sua explanação, a partir deste instante, em minhas aulas de História, passei a ter o dever de arrumar um tempo para falar sobre teatro com meus alunos. Essa foi mais uma lição de Barbara Heliodora. A eterna Barbara Heliodora! 

sábado, 28 de março de 2015

Rei Zulu: 72 anos

Denílson Custódio Machado teve a honra e o prazer de ser batizado de “REI ZULU” por Nelson Rodrigues. Isso não é pra qualquer um! Denílson tornou-se uma referência para várias gerações de tricolores. O grande Denílson, ídolo tricolor que envergou a camisa do Fluminense entre 1964 e 1973, merece todas as homenagens dos tricolores. Afinal, quem foi rei, nunca perde a majestade! 

Denílson foi campeão carioca de futebol profissional pelo Fluminense em 1964, 1969, 1971 e 1973. Campeão Brasileiro de 1970. Campeão da Taça Guanabara de 1966, 1969 e 1971. E campeão do Torneio Internacional de Verão de 1973. Denílson participou da Copa do Mundo de 1966 na Inglaterra. Denílson com 433 jogos é o sétimo jogador que mais vestiu a camisa tricolor. Denílson foi capitão do time do Fluminense durante nove anos

Neste dia 28 de março de 2015, o nosso REI ZULU completou “72 ANOS”. Tive o prazer de falar com ele por alguns minutos e desejar-lhe parabéns, feliz aniversário, muita saúde e paz. Trocamos algumas ideias e demos boas risadas. Em breve, pretendo contar algumas histórias do nosso querido REI ZULU para os tricolores. O Denílson é um cara fantástico! Nunca se esquece da torcida tricolor. Ele pediu que enviasse um abraço a todos os tricolores. O Fluminense está sempre no seu coração. Valeu, Denílson! Mais uma vez, parabéns pelos “72 ANOS”.   

segunda-feira, 16 de março de 2015

Uma notinha amiga

Uma estranha nota, na coluna Panorama Esportivo, do jornal O Globo, foi publicada no sábado, dia 14/03. A nota diz que Cristóvão Borges quase sucumbiu à pressão da cúpula tricolor após a derrota para o Vasco. E que o vice de futebol Mário Bittencourt foi contra a saída do técnico.

Realmente, a nota é estranha. Será que saiu no amor da causa jornalística? A nota fala em pressão da "cúpula tricolor" e que o vice de futebol foi contra saída do técnico. Mas o vice de futebol é a própria "cúpula tricolor". Ninguém está acima do vice de futebol, apenas o presidente do clube que é seu grande amigo. Portanto, que pressão é essa? Que cúpula é essa? Isso está parecendo "notinha amiga" pra ajudar em campanha eleitoral antecipada. 

E agora, com a derrota no "duelo de titãs" para o poderoso esquadrão do Macaé, "CAMPEÃO DA TERCEIRA DIVISÃO"? A "cúpula tricolor" se manifestará ou vamos ter que esperar o Flu vencer mais uma "galinha morta" pra surgir outra nota enaltecendo o vice de futebol? Agora o Cristóvão Borges cai ou O VICE DE FUTEBOL CONTINUARÁ CONTRA A ESMAGADORA VONTADE DA TORCIDA? PRA QUÊ SERVE UM VICE DE FUTEBOL? Deve ser pra ficar contra a opinião da maioria da torcida de seu clube. Ou então, pra dar nota 8 para um treinador que a maioria da torcida quer que seja demitido. 

domingo, 15 de março de 2015

A lanterna bicampeã!

Alguns torcedores do Fluminense chamam o Botafogo de "minúsculo". Tudo bem, isso é manifestação de torcedor de futebol. E lembram que o alvinegro está na Segunda Divisão. Mas isso é apenas pelo fato do clube de General Severiano ter mais competência do que Peter Siemsen e toda sua diretoria para captar mais associados para o plano de sócio torcedor. O que o Vice de Futebol tem contribuído neste sentido? Será que o Vice de Futebol acredita que excessivas e intermináveis entrevistas contribuirão na captação de novos sócios?

Outros torcedores tricolores chamam o Botafogo de "nada pode ser menor". Tudo bem, isso é reação de torcedor de futebol. Lembram que recentemente o Fluminense venceu dois Campeonatos Brasileiros e o clube está inerte. Mas não podemos nos esquecer, jamais, que esses dois Campeonatos Brasileiros foram conquistados, graças ao enorme suporte financeiro injetado pela Unimed - leia-se Celso Barros - no Fluminense.

Culpar a torcida pela baixíssima adesão ao sócio torcedor é um argumento muito limitado e que foge da realidade. Por falar em realidade, no último sábado, dia 14, uma nota na coluna Panorama Esportivo do jornal O Globo, nos dá pé da realidade dos fatos. Sem manifestação ou reação de torcedor de futebol. Apenas fatos e números. E os fatos é que a nova diretoria do "rebaixado" Botafogo, em poucos meses, em silêncio, está fazendo o seu dever de casa. Trabalhando e apresentando números.

A nota diz que os números dos clubes do Rio são tímidos perto dos clubes de São Paulo em relação ao aumento da adesão aos sócios torcedores. Em 2015, o Botafogo é o que teve maior número de sócios: 2.873. Seguido pelo Flamengo: 2.245. O Vasco teve 733. E o Fluminense apenas 147.

O Vasco do simpatisíssimo Drº Eurico Miranda, conseguiu ter 5 (CINCO) VEZES mais sócios que o Fluminense. Ou seja, entre os grandes clubes do Rio, o Fluminense é o lanterna! Repito, lanterna! Deve ser culpa do Rubinho!

Mas, talvez isso, não será problema para alguns tricolores. Pois, em 2015, o Fluminense já teve outra experiência na lanterna. A outra foi no quadrangular que disputou em Miami. E estamos apenas no mês de março.