quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Dr° HORTA: UM TRICOLOR IMPRESCINDÍVEL!

A última reunião do Conselho Deliberativo do Fluminense, que se realizou na noite de 26/01, foi longa e extenuante. Na realidade, foram duas reuniões numa mesma noite. A primeira tratava da questão da “discussão e votação do Orçamento do exercício 2010”. E a segunda, tinha como pauta a “explanação pelo Conselho Diretor do Contrato de Patrocínio do Fluminense Football Club com a Unimed”. Dois temas, que já imaginávamos que gerariam polêmicas e debates acalorados.

O clima era um pouco tenso. O tradicional “exército de seguranças” era perceptível até aos observadores menos perspicazes. Equipes de filmagens com seus modernos equipamentos causavam indignação em alguns conselheiros e consequentemente, discursos veementes contra tal iniciativa. A resposta dada pelo presidente do Conselho Deliberativo para tal medida era para que facilitasse o trabalho de execução da Ata. Então, pelo visto, esta prática se tornará comum em todas as reuniões do Conselho Deliberativo. O que é salutar para o aprofundamento da transparência do processo político tricolor. E ao ser perguntado sobre a disponibilidade das fitas de vídeo gravadas, para os conselheiros, o presidente do Conselho Deliberativo do Fluminense afirmou que elas estarão disponíveis. O que é uma medida correta.

Muitos oradores discursaram naquela noite. Fossem da oposição ou da situação, vários conselheiros arrebataram o plenário com muitas palmas. Ocorreram alguns momentos de tensão. Mas, nada que ultrapassasse a “normalidade democrática”. Alguns conselheiros, mais introspectivos, preferiram o silêncio, mas participaram da mesma forma com sua presença. Até o presidente do Fluminense, "deu o ar da graça" e dirigiu-se ao microfone. Era algo que não fazia há tempos. O presidente do Fluminense, “não chegava a ser” nenhum Carlos Frederico Werneck de Lacerda, “mas mandou o seu recadinho”. É o mínimo que esperamos de um presidente do Fluminense, que participe ativamente das reuniões do Conselho Deliberativo, da forma que lhe conferir o Estatuto do Clube.

Todavia, existia um homem ali no plenário, humildemente sentado, que mais parecia um conselheiro de primeira viagem, de primeiro mandato. Daqueles que passam uma legislatura inteira e só ouvem e não falam nada. Um homem de 75 anos, mas com alguns bons serviços prestados ao nosso Fluminense. E dentro de sua sabedoria, este homem ficou o tempo todo sentado, ouvindo atenciosamente tantos outros brilhantes oradores, que desfilaram seus talentos de oratória durante a longa noite e extenuante. Este homem era Francisco Luiz Cavalcanti da Cunha Horta.

Sim! Era ele mesmo. Era o nosso FRANCISCO HORTA, o “DR° HORTA”, o “Eterno Presidente”. O homem que montou a poderosa “MÁQUINA TRICOLOR” de 1975-1976, era o mesmo que estava ali no plenário, quietinho, humildemente sentado, ouvindo atentamente todos os brilhantes oradores durante a reunião do Conselho Deliberativo. Em determinado instante, alguns jovens tricolores, perguntavam-me: “Aquele ali é que é o HORTA”??? E respondia que sim. Sim! Aquele era o homem que “marcou época” no Fluminense. O “DR° FRANCISCO HORTA” é um dos poucos dirigentes que é adorado como se fosse um jogador de futebol. O “DR° HORTA” notabilizou-se no futebol brasileiro e principalmente na história do Fluminense, com o seu lema “VENCER OU VENCER”.

Num determinado momento, um conselheiro fez o convite para que o “DR° HORTA” se pronunciasse. E ele, com um pequeno e delicado gesto com a cabeça, elegantemente dizia que sim. Era a expectativa de muitos. Um pronunciamento do “DR° HORTA”. Para alguns, seria um momento ímpar, talvez a primeira oportunidade de ouvi-lo. Para outros, o instante de se reencontrarem com aquele “FLUMINENSE FORTE E PODEROSO”. E matar as saudades daquelas “verdadeiras aulas de oratória”.

Seguindo democraticamente a ordem de inscrição dos oradores, chegou o momento tão esperado por aqueles que se encontravam no recinto, o “DR° HORTA” pronunciando-se. O “DR° HORTA” levantou calmamente e dirigiu-se lentamente ao microfone. Era natural que muitos conselheiros e sócios do Clube aguardassem com ansiedade seu pronunciamento.

Eram poucos conselheiros ainda no plenário, talvez menos de vinte. Já passavam das três horas da madrugada, quando aquele senhor de 75 anos se preparava para discursar. Porém, enquanto o “DR° HORTA” caminhava lentamente em direção ao microfone, o Salão Nobre silenciava-se esperando ansiosamente por seu discurso.

Ao chegar diante do microfone, o “DR° HORTA” disse: “Minhas Saudações Tricolores”! O “DR° HORTA” discursava como o presidente mais antigo do Fluminense. Pelo adiantado da hora FRANCISCO HORTA destacava os conselheiros e sócios que ali estavam “por amor ao Fluminense”. O “DR° HORTA” pedia mais união e que nos amassemos mais. HORTA destacou que “o Tricolor é diferente”, “o Tricolor é um homem de bem”. Ressaltou que o Fluminense é centenário e que nós não podemos ser os nossos adversários. Lembrou que os nossos adversários são Flamengo, Vasco e Botafogo.

FRANCISCO HORTA disse que “a oposição é necessária, indispensável”! O “DR° HORTA disse que: “O amigo que é amigo, não pode deixar o outro cometer um erro. Por isso, sou a favor da divergência. O que não posso concordar é que briguemos entre nós. Os nossos adversários estão lá no campo, na piscina. E não aqui! A divergência é salutar. Não pode o presidente do Conselho Deliberativo não ter um relacionamento bom. Essa Mesa (Mesa Diretora) é mais importante que o presidente do Clube. Essa Mesa tem que ter pessoas que se amam, que sejam amigos. Essa Mesa tem que ser sempre exemplar. Essa Mesa é que autoriza o Conselho Diretor. Quem manda no Fluminense é o Conselho Deliberativo! Quem governa é o Conselho Deliberativo! Ela é o nosso exemplo, a Mesa".

Enquanto HORTA discursava, o plenário de forma extasiada ficava em completo e absoluto silêncio. E FRANCISCO HORTA continuava: “Eu volto e peço a Deus que os ilustres membros desta Mesa possam se entender ‘como um time’, ‘como uma equipe’. O senhor presidente (referindo-se ao presidente do Conselho Deliberativo), é um grande homem. A nossa vice-presidente é uma grande mulher. E os secretários. E presidente, a ação deve partir do senhor. Nós temos que ter amor de vir ao Fluminense. E esta reunião esteve muito tensa. O senhor presidente, como eu, viemos do Direito. O Direito é equilíbrio! O Direito é o não conflito! Espero em Deus, que nós saiamos daqui às três da manhã em harmonia. Esse Clube precisa estar unido para chegarmos as conquistas, que nossa vice-presidente conquistou. Hoje, velho, com 75 anos, vejo o nosso Clube crescer. Presidente, ai do Clube, em que as reuniões acabam às dez da noite, ai do Clube que não há discussão! Saudações Tricolores”.

No exato instante em que concluiu seu discurso arrebatador, FRANCISCO HORTA foi ovacionado pelos conselheiros e sócios ainda presentes com aplausos ardorosos. Muitos se dirigiram até o “Eterno presidente”, logo após o término de sua fala. A emoção tomava conta de todos. FRANCISCO HORTA deu o toque que faltava a reunião. O discurso do “DR° FRANCISCO HORTA” foi “uma luz no fim do túnel”. Até mesmo alguns conselheiros e beneméritos que sempre lhe fizeram oposição, estavam visivelmente sensibilizados com seu discurso e foram estender a ele congratulações pelas sábias palavras. Os seus simpatizantes faltavam pouco para derramarem “lágrimas de esguicho”. Um conselheiro perguntou-me: “Qual a idade do HORTA”??? E respondia-lhe: “Setenta e cinco anos”. E o conselheiro novamente dizia: “Um menino! Bem que poderia ser novamente nosso presidente”!

Após o pronunciamento do “DR° HORTA” alguns poucos conselheiros tomaram a palavra. Evidentemente, ressaltando suas palavras. Porém, mais palavras para serem ditas após o brilhante discurso de FRANCISCO HORTA, não faziam o menor sentido. Evidentemente que, ao final da reunião, não existia pessoa mais indicada para ser escolhida pelo presidente do Conselho Deliberativo, para descerrar a bandeira do Fluminense, que o "PRESIDENTE HORTA".

Indubitavelmente, o “DR° HORTA” é um grande Tricolor que ainda tem muitas contribuições a dar ao nosso Clube. Para todos nós tricolores que ali nos encontrávamos, ficávamos com uma grande lição. A de que o Fluminense Football Club, em hipótese alguma pode prescindir da sabedoria, da inteligência e da cultura do nosso querido ”DR° HORTA”, o “Eterno Presidente”. O “DR° FRANCISCO HORTA É UM TRICOLOR IMPRESCÍNDIVEL”!

Saudações Tricolores

10 comentários:

  1. Eduardo Vianna de Lima29 de janeiro de 2010 18:49

    Não faz falta alguma ao clube. Afinal, já se declarou rubronense e desmontou a máquina em prol do equilíbrio entre os grandes. Aliás, não sei porque você, Eduardo, que, lamentavelmente, já apanhou de flamenguista (e dentro do clube!)vem elogiar um rubronense.

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  2. Houve conselheiro que reclamou da gravação? Por que não pode gravar? Tem mais é que gravar tudo e arquivar, para ver a participação de cada um na história do Fluminense.
    Os julgamentos do STF são gravados, por que não pode gravar a reunião aberta a sócios de um clube?
    Deve prevalecer a transparência, isso é mais do que óbvio.
    ST.

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  3. Eduardo Vianna de Lima,

    Respeito sua opinião sobre o "DR° HORTA". Porém, discordo! No deserto de idéias e mediocridade em que se encontra o Fluminense, ele teria algumas contribuições a dar.

    Sobre a covarde e lamentável agressão que sofri, não compreendo sua comparação. Mas, achei de péssimo gosto.

    Contudo, sua manifestação esta registrada!

    EDUARDO COELHO

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  4. Semana passada fiquei sabendo de um ilustre tricolor uma história sobre o Horta que me chamou a atenção, o Horta certa vez nas Laranjeiras chegou a desfilar dentro do Fluminense com camisa do Flamengo!!! Sendo assim diante disso não posso levar a sério o que vem dele nem se ele tivesse montado 10 máquinas tricolores.

    ST

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  5. Prezado Marcelo Ferreira,

    Mais uma vez é sempre um prazer tê-lo fazendo comentários neste espaço. Mas, o "ilustre tricolor" que lhe contou esta história sobre o Horta tinha que ser mais criativo ao criá-la. Pois, este "ilustre tricolor" que lhe contou esta história deve desconhecer que é proibido entrar no Clube, com qualquer camisa ou bandeira que não seja do Brasil ou do Fluminense.

    Então, já que ele não gosta do Horta, e tenta denegri-lo, poderia contar-lhe uma história melhor. Pois "não posso levar a sério o que vem" deste "ilustre tricolor" que lhe contou esta história. Esta história é muito fraquinha e chega a ser hilária!

    Prezado Marcelo, só de curiosidade: "Você teve o prazer de ver a "MÁQUINA" jogar???

    Saudações Tricolores,

    EDUARDO COELHO

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  6. Eduardo,

    Infelizmente era ainda bebê na época da "Máquina". Só vi alguns jogos em VT.

    ST

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  7. Prezado Marcelo Ferreira,

    Aquele time era "poesia pura", "jogavam por música". Um "futebol-arte" de extrema beleza! E uma época inesquecível, em que o forte e poderoso Fluminense era terrivelmente temido pelos rivais. E nossa imensa torcida "invejada" por todos.

    Uma época em que, não existia choradeira entre os tricolores reclamando da imprensa ou arbitragens que favorecessem nossos rivais. Éramos nós quem dávamos as cartas! E o responsável por tudo isso, que foi "ousado" e "audacioso", como devem ser os tricolores, foi o "DR° HORTA", com seu lema "VENCER OU VENCER".

    Ele pode ter cometido alguns erros, como muitos de nós cometemos, e sei disto. Mas com toda certeza seu saldo é positivo. E o nome FRANCISCO HORTA, "está definitivamente registrado entre as mais belas páginas do nosso Fluminense".

    Saudações Tricolores,

    EDUARDO COELHO

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  8. José Carlos Gulias3 de fevereiro de 2010 23:56

    Certamente o Dr. Francisco Horta tem muito a acrescentar ainda ao nosso querido Fluminense, pois trata-se de uma referência em termos de dignidade e equilíbrio e que fez história não só no clube, mas no Brasil, sendo motivo de orgulho para todos nós tricolores.

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  9. Independente de qualquer fato verdadeiro ou não sobre o Dr. Horta, não posso esquecer que foi um dis melhores momentos de minha infâcia no clube principalmente o lado Social, meus pais foram diretores sociais e quem não de lembra da Gincana e dos Teatrinhos da Tia Alda?Os eventos infantis,papai noel no campo, shows de mágica e até cineminha no bar do tênis!Tenho boas recordações dessa fase do Fluminense ...E gostaria muito que meus filhos hoje pudessem vivenciar o mesmo...

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  10. Eu vi a Máquina jogar e assisti, infelizmente, a Máquina ser desmontada, pelo mesmo homem que a montou - Francisco Horta. Lamentavelmente, Horta aceitou trabalhar no Flamengo. Para o bem e para o mal ele está na História do Fluminense. Agora as palavras ditas por ele nesta reunião estão escritas para o bem do Clube. Fiquemos com a idéia da Máquina e com o sentido das suas palavras nesta reunião.

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